terça-feira, 15 de maio de 2012

Para um amor improvável

Te quero, querida
E só meu tesão sabe o quanto;
Te espero, querida
E só meu coração sabe até quando.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Versinhos de R$ 1,00

Talvez não esteja certa
Nem faça ideia ainda
Do coração que aperta
Do quanto a quero, minha linda.


Você nem suspeita
Mas um dia saberá:
Quem hoje te espreita
Tua boca beijará.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Lembrança



















Alguém em Portugal, passeando em um vilarejo
De mim se lembrou ao encontrar esse belo azulejo.


Pena a viagem ter sido dura, provocando uma rachadura;
Sorte foi, apesar do impacto, o carinho ter chegado intacto.


Nada como ser lembrado por aquilo a que damos valor.
Nada como ser lembrado por alguém a quem damos valor.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cecília adaptada à era virtual



Eu curto porque o botão de curtir existe
E a minha timeline está em pauta.
Não sou blogueiro nem hacker:
Sou internauta. 

Sei que curto. E o curtir é tudo.
Tem acesso eterno a conexão ilimitada.
E um dia sei que estarei off-line:
– mais nada.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Na rede com Maiakovski

Na primeira noite eles se aproximam
e fecham o Megaupload
da nossa rede.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
bloqueiam os compartilhadores P2P,
tiram links para torrents do ar,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais FDP deles
entra sozinho em nossa casa,
confisca nossos PCs, e,
conhecendo nossa senha,
apaga todos nossos arquivos.
E, como não compartilhamos nada, já não podemos postar nada.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sociologia da sala de cinema



Se procedêssemos a uma descrição sistemática e a uma análise de determinados comportamentos sociais existentes dentro de uma sessão de cinema, poderíamos esboçar os seguintes tipos:

a) nerds que permanecem sentados até a passagem de todos os créditos finais, aguardando por alguma cena prólogo de algum de filme de super-herói vindouro (com o tempo, esse hábito também passou a fazer parte da rotina dos não nerds);

b) pipoqueiros obsessivo-compulsivos, com talento para fazer o máximo de barulho possível com a mastigação de pipoca;

c) tagarelas que ficam contando (bem alto, pra todo mundo ouvir) não só o final do filme cuja sessão estão assistindo (isto é, já viram mas estão lá pra contar cada detalhe para sua companhia) como também os finais de outros filmes em cartaz;

d) desinteressados, que dispõem da sala de cinema como mera sala de estar enquanto conversam a sessão inteira ao celular (e alto, sem qualquer noção, sem qualquer respeito aos ouvidos alheios);

e) beijoqueiros, subsegmento dos desinteressados que pagam o ingresso em uma sessão apenas para aproveitar o escurinho do cinema para se atracarem;

f) cinâmbulos (cine + sonâmbulo), que pagam para nunca assistir a um longa inteiramente (e ainda pensam que "dormiram na metade", quando dormiram bem antes)
g) outros dos quais não me lembro agora

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Proposta de verbete para a próxima edição do Houaiss

céunado s.m. (sXXI) 
Câmara de alta renda, cujos membros concursados representam o paraíso salarial do funcionalismo público de um país. Lugar em que trabalham pessoas cuja renda mensal corresponde a um salário surreal, que você, mero mortal, jamais imaginou receber como funcionário público. ◎ Etim.: do concursês ceunadus, 'céu dos afortunados'.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Da loucura

Ela, casadíssima:

— Ai, que loucura isso que a gente tá fazendo...

Ele, solteiríssimo:

— Mas é exatamente pela loucura que estamos aqui, fazendo isso.

domingo, 28 de agosto de 2011

Um dedo de prosa alcoolizada

É chato perder o senso de pontuação em uma noite de bebedeira e não saber mais a hora de botar uma vírgula ou um ponto final em nossa prosa.

sábado, 27 de agosto de 2011

Da loseridade (III)

Florianópolis, julho de 2007

Era tão loser que, quando finalmente mergulhou num mar de rosas, afogou-se sem nada desfrutar.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Da loseridade (II)


 Era tão loser que, quando finalmente encontrava alguém, esse alguém o desencontrava.

sábado, 13 de agosto de 2011

Do loseridade

Goiás Velho, junho de 2011




Era um loser tão convicto de sua condição que, mesmo quando a sorte finalmente lhe batia à porta, achava ser o azar de novo e deixava de atender, perdendo a rara chance de ser feliz.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A vila revisitada

 
Para os que visitam o tantas vezes recitado Goiás Velho, a Vila Boa de Goiás, é dada a chance de descobrir, por meio de simpático busto debruçado à janela, o lar de sua mais famosa doceira. A vontade imediata é poder logo adentrar, folhear a intimidade do livro da vida daquela senhora – preservado em forma de museu – e ouvir a guia contar as estórias de Cora entrelaçadas à história da Vila.

Mas repentina insatisfação surpreende o viajante sedento de registros: o interior da casa é proibido retratar... Resta-lhe então buscar – tal qual fez a poeta – os temas que a inspiraram nos arredores da residência e da cidade. E é sem esforço que nos deparamos com estórias sendo contadas bem ali, na ponta de nossos pés, a partir das ruas de pedra; mais adiante, na beleza remota das igrejas coloniais; e se ousarmos bater às portas, continuamos a saber mais pelos contos das vizinhas doceiras, enquanto preparam guloseimas.

E assim se experimentam as sinestesias que inspiravam poemas e contos: saboreando, no rio que margeia a casa, a deliciosa sonoridade; ouvindo, no verde do quintal, a silenciosa serenidade; visualizando, nas iguarias das vizinhas, a imortal doçura.




Quem lê Cora também vê a Vila. E estar na Vila é ler Cora. Para o viajante, passeio se torna leitura; e seus passos, versos.

Voltemos a reparar agora o busto senil à janela: seria mesmo preciso? Ora, em vez da mera escultura, por que não deixar que descubram sua essência por meio de todos os doces, verdes e pedras que testemunham a mais cotidiana criação literária daquela vila?

Ao sair da casa, vemos que ela está do jeito que Cora deixou. Assim como, ao partir da cidade, vemos que Goiás Velho permanece como a poeta deixou, retratado em seus versos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Verbete do Dicionário Candango


Chover - verbo pessoal e conjugável em qualquer tempo ou modo para quem vive em Brasília: eu chovo, tu choves, ele chove...

domingo, 6 de março de 2011

Poeminha do Ricardão

Esquece filho, esquece marido;
Vem viver uma aventura comigo!
Aturar família é sempre dose:
Desestresse, relaxe e goze.

domingo, 24 de outubro de 2010

Serenata a uma pretensiosa (1945), Joaquim de Barros

Num domingo em que não vejo a hora de cair todo um céu d'água sobre nossas cabeças, minha amiga Laeticia nos brindou em seu facebook com essa bela imagem, oferecendo arte em mais de um sentido.

A poesia está inscrita numa fonte em Folgosinho, Serra da Estrela, Portugal.

É uma raridade: além de singulares, esses versos são atribuídos a um poeta português esquecido e perdido no tempo, um certo Joaquim de Barros. É a última estrofe de "Serenata a uma pretensiosa" (1945):

Não procures subir alto
Modera as tuas canseiras
Há muitas vezes, a beleza
Mesmo nas ervas rasteiras.

Nas tuas unhas condiz
Teu modo de ostentação
Por fora sobra verniz
Por dentro falta sabão.

Nem sempre uma linda cara
Traduz encanto no mundo
Há mil fontes de àgua clara
Cheias de lodo no fundo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Enquanto isso, na Rorizlândia...

Balõezinhos by Davi® 
  
Obs.: essa imagem NÃO foi photoshopada. Ela estava realmente usando um chapéu vermelho. Duvida? Vá ao site dela, se tiver disposição para tanto: http://weslian.com.br/

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Prova da existência de Deus



Toda vez que desejo calar a boca dos meus amigos ateus, basta que eu mostre a eles uma fotografia de Jennifer Connelly.

Ela é a mais absoluta prova da existência de Deus.

Olhe bem pra ela e me diga: como o CAOS, como o ACASO poderia conceber a beleza dessa mulher?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

A vingança do comunista na latinha de Coca-Cola


Certa vez, Roberto Campos (vulgo Bob Fields) disse o seguinte, a respeito da cidade de Brasília:

“Foi a vingança de um arquiteto comunista contra a sociedade burguesa”.

Recentemente, por ocasião dos 50 anos de Brasília, a Coca-Cola lançou uma versão de suas latinhas em volume de 270 ml com todas as obras de Oscar Niemeyer existentes na cidade estampadas em sua superfície (incluindo a escultura Os Candangos, que é obra de Bruno Giorgi).

O que terá dito Oscar Niemeyer quando viu isso?

Ou melhor: o que diria o falecido Roberto Campos se visse isso?