quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

nıɐɔ ǝlǝ ǝnb oʇuɐʇ ıoɟ oıɹqílınbǝsǝp o

A declaração do promotor de Justiça Militar do MPDFT, Mauro Faria, feita esta semana no telejornal DF Record, foi de uma sagacidade fenomenal.

A respeito desta badalada cena, onde o comandante da PM parte pra cima do manifestante e cai, a partir dos 0:45,

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O promotor militar declarou o seguinte (desse jeito, literalmente) aos repórteres:


As filmagens mostram um desequilíbrio do Comandante, tanto que ele caiu.


Sei que é falar do óbvio, mas não resisto em comentar: por um lado, a declaração pode ser simples e ingenuamente lida/ouvida entendendo-se o termo desequilíbrio apenas em seu sentido físico, o que torna a oração subordinada "tanto que ele caiu" - e todo o resto da declaração - uma constatação mais do que óbvia, inútil e desnecessária pra quem confere o vídeo; por outro, identifica-se aqui um sarcasmo dificilmente demonstrado em público por parte desses promotores: tachou o comandante da PM de desequilibrado físico E psicológico, simultaneamente.

Eu imaginava que esses promotores fossem sóbrios e sérios até a alma, mas a oportunidade encontrada para proporcionar um duplo sentido para a palavra em questão - e fazer graça - foi muito bem aproveitada.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

domingo, 2 de agosto de 2009

Bom gosto musical é afrodisíaco

Confira apenas os 30 segundos iniciais desse trailer e comprove: o sonho de todo homem com um gosto musical decente é poder encontrar uma mulher que tenha esse mesmo bom gosto.



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A propósito: a canção em questão é "There is a light that never goes out", do The Smiths.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Deu no jornal

Manchete de ontem:


"Pássaro se choca com avião; ninguém sai ferido."


A cada dia que passa, a falta de respeito e valor à vida animal se banaliza de tal forma que ninguém mais se dá conta.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Teoria da grama do vizinho

[certa tarde, em meio a uma conversa durante uma volta pela cidade com Rose]

Eu - ... A grama do vizinho é sempre mais verde.

Rose - Não é não, nego... só é diferente.

domingo, 7 de junho de 2009

Entre autores e atores, a voz do verso

No site do Portal Nação Cultural Pernambuco, há um link para ouvir versos de Bandeira e Drummond lidos pelos próprios autores:

http://www.nacaocultural.pe.gov.br/bandeira-e-drummond

Na minha opinião, nem todo poeta é o melhor intérprete de seus próprios versos; muitas vezes, falta a entonação que é encontrada apenas na voz de outros, não poetas... Há atores que o fazem com uma propriedade capaz de surpreender e encantar os próprios autores, realizando interpretações impecáveis - caso do ator Adeilton Lima recitando os versos de Mário Quintana. No entanto, vale conferir as reproduções não só como referência e curiosidade, mas também pelo raro registro histórico, que nos dá a chance de conhecer aquela expressão dos poetas que jamais veremos em seus poemas: a sonoridade de suas próprias vozes.

domingo, 19 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Versos perdidos em Guaratinguetá

Leva-me pela mão, querida
ensina-me o caminho do teu amor
que por ele trilharei
cativo.

Não me percas no caminho;
vem cá, fica mais perto
e tão perto estou
que te sinto
minha.

Venha ver-me todo o tempo
embora, por mais que venhas
seja sempre pouco
pelo muito que te amo
querida.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Chomsky, Skinner e Vygotsky sentados à mesa dum bar

"The Intellectuals at la Rotonde", Tullio Garbari (1916)

Alguns teóricos da linguagem aproveitam as férias acadêmicas e, livres da encheção de saco de seus alunos, marcam um encontro no bar Pôr do Sol, na 408 Norte, em Brasília.

(...)

Chomsky:

— Vem cá, Skinner, por que uma criança, mesmo ouvindo os adultos dizerem "fiz" e "sei", ainda assim diz "fazi" e "sabo", seguindo naturalmente os paradigmas regulares dos verbos da 2ª conjugação, terminados em -er, quando todos os reforços seriam, nesse caso, favoráveis à primeira forma, irregular ?...

Skinner:

— Isso não contradiz o que eu penso. A princípio, ela pode até dizer "fazi" e "sabo", mas tal condição não se perdura por muito tempo, até porque, justamente graças aos reforços, essa mesma criança deixa de falar "fazi" e "sabo" e passa a falar "fiz" e "sei"... por que será, hein Noam?

Vygotsky:

— Chomsky, não acredito que isso aconteça tão "naturalmente" assim. O que ocorre é que, após essa criança se apropriar da forma cultural dos adultos de usar paradigmas de verbos regulares (bato, bati; vendo, vendi), assim que precisar usar os irregulares saber e fazer, ela os conjugará "sabo" e "fazi", como resultado da generalização dos paradigmas que ela assimilou culturalmente... Isso também serve pra você, Skinner: a criança deixa de falar "sabo" e "fazi" e passa a conjugar por meio do paradigma irregular devido ao mesmo motivo, já que, aos poucos, vai se apropriando da forma cultural devidamente consolidada entre os adultos.

(...)

Assinale abaixo quem será o vencedor do debate e, como tal, irá embora sem precisar pagar a conta:

a) Diretor Skinner, que convencerá todos na base dos reforços;

b) Mister Chomsky, que conseguirá fazer todos dialogarem numa mesma língua ideal e de acordo com uma gramática universal;

c) Kamarada Vygotsky, que mesmo com um princípio de tuberculose não abriu mão de tomar uma boa vodka russa com os demais kamaradas no bar;

d) Monsieur Piaget, que também tá bem ali no canto da mesa fumando um cachimbo só esperando sua vez de falar;

e) Outro teórico que faltou ser convidado mas que fará das idéias anteriores meros itens dicionarizados.