sábado, 26 de novembro de 2005

Adorável cheiro de nostalgia

Hoje de manhã fui bater na porta do zelador pra pegar uma encomenda que havia chegado do Correio. Ele não estava, mas a filhinha dele atendeu, abrindo a porta e deixando sair aquele cheirinho de comida caseira feita pela mãe, que não se encontra em restaurante nenhum desse mundo. Não era só um cheiro de comida: Era um cheiro de zelo, de carinho, de tudo aquilo que só vivemos enquanto não saímos definitivamente de casa mundo afora.

De imediato aquele cheiro me remeteu a uma experiência nostálgica: Há uns seis anos eu não sei mais o que é isso.

É próprio do ser humano dar valor à àgua só depois que a fonte seca; mas eu me recordo de - enquanto ela esteve viva - ter lhe declarado diversas vezes o quanto me sentia grato por ela ter existido.

Pelo menos a nostalgia não me traz remorsos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Umidade Relativa do Vinho

Quase no fim do expediente um colega me aparece com uma garrafa de vinho deixado (quer dizer, abandonado) por um funcionário aposentado em uma outra seção. Arrumou um saca-rolha, algumas taças e pronto, lá estava um pretexto pra reunir o pessoal da seção em (mais) uma mini-confraternização. Era um vinho “Velho Amâncio”. Nosso chefe confere o rótulo e diz, com o entendimento de quem tem autoridade no assunto:

- Humm... um Cabernet Sauvignon... 2001... ótima safra!

Sinal de que The Boss é degustador especializado mermo na parada... Bom, pra quem tá cansado de saborear um Sangue de Boi em copo de plástico - dizem que nesses copinhos qualquer vinho tem gosto de Chapinha - com amigos da facul, qualquer safra é bem-vinda. Então, põe um pouco aí pra mim, André... 'chô prová um pouquin pra vê se é bom mermo...

Enquanto levava a taça à boca, fui constatando: Velho Amâncio... “Cabernet Sauvignon”... safra 2001... Vinho Tinto…



… seco.



Bleargh.





"Bebo porque é suave, se fosse seco eu comia." [Jânio Quadros]