terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Senador propõe adiar vigência do Novo Acordo Ortográfico para depois do Fim do Mundo


(Agência Estado) Tudo indica que o Novo Acordo Ortográfico não entrará em vigor tão cedo. "Deixemos isso para depois de 21/12. Já pensou se formos discutir se a grafia ideal é 'fim do mundo' ou 'fim-do-mundo', sem hífen ou com hífen? O mundo não vai acabar nunca!" declarou o senador Cyro Miranda (PSDB-GO). "Esse adiamento também é importante para discutirmos outras questões ortográficas ainda não contempladas pelo Novo Acordo em vigor, como a inserção dum acento agudo no cu. Sempre quis colocar um acento no cu. 'Cu' sem acento fica parecendo símbolo químico da Tabela Periódica!".

sábado, 24 de novembro de 2012

Sherlock Holmes e o crime de lesa-ortografia



— Foi um erro furtivo, Watson. Ninguém viu. Nem o autor, nem o revisor, nem o diagramador, nem o editor, nem seu assistente, nem os leitores. Passou batido por todos. Se ao menos alguém o tivesse identificado antes da publicação, teria evitado a consumação desse terrível crime de lesa-ortografia.

— E o que foi feito a respeito até agora, Holmes? Já temos algum suspeito?

— A Scotland Yard tem concentrado todas as buscas a um fugitivo: o estagiário que esteve vadiando pela editora durante toda a composição da obra. Ele sumiu logo após a publicação e seu paradeiro continua ignorado.

— Mas presumir que a culpa seja sempre do estagiário nesses casos é uma solução um tanto preguiçosa e oportunista, não?

— Obviamente, Watson, e deixa de lado a questão mais intrigante: o poder de invisibilidade de um erro durante todo o processo de editoração. Como ele conseguiu se manter ali, maquiado e imperceptível, durante todo esse tempo? Trata-se de um mistério que atravessa séculos de história tipográfica e editorial, permanecendo gloriosamente indecifrável.

["Um estudo do erro", Arthur Conan Doyle, 1887, p. 171]

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Previsão poética do tempo (DF)














Outono ou inverno, clima cármico eterno:
Lá vem manhã fria, o céu todo opaco
Chegou meio-dia, retire o casaco
À noite resfria, esse tempo é um saco

Se nuvem aparece, então fica esperto:

Dia amanhece com céu encoberto
Nublou, esfriou; veste a jaqueta
Chove não, brou, é só névoa seca

Abafa, esquenta, vira uma estufa;

Do nada, só venta, pancada de chuva
Que logo se acaba, qual fogo de palha
E volta o solzaço: calor e mormaço

Nem reclame mermão, é só primavera

Já, já é verão; quando menos se espera
tem pista alagada, cheia de barro
com gente estressada e batida de carro

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Filosofia zumbi

A vida da gente é como o seriado The Walking Dead: todos aqueles problemas que parecem ter se encerrado ressurgem repentinamente, meio vivos, do nada, atacando-nos a qualquer momento do dia ou da noite e obrigando-nos a fugir deles diariamente. Algumas pessoas se deixam consumir por esses problemas; outras acabam se tornando (mais) um desses problemas. E tudo indica que, um dia, o mundo será inteiramente dominado por esses problemas – até que não haja ninguém mais são e consciente para dar cabo deles.

domingo, 19 de agosto de 2012

Um tanto difícil, mas não impossível


Zilhões de estrelas no céu e você quer chegar àquela:
a de nome mais bonito,
a mais comprometida com o infinito.

Zilhões de almas e você deseja aquela:
de todas, a mais distante;
de todas, a mais errante.

terça-feira, 15 de maio de 2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Versinhos de R$ 1,00

Talvez não esteja certa
Nem faça ideia ainda
Do coração que aperta
Do quanto a quero, minha linda.


Você nem suspeita
Mas um dia saberá:
Quem hoje te espreita
Tua boca beijará.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cecília adaptada à era virtual



Eu curto porque o botão de curtir existe
E a timeline está em pauta.
Não sou stalker nem hacker:
Sou internauta. 

Sei que curto. E o curtir é tudo.
Tem acesso eterno a conexão ilimitada.
E um dia sei que estarei off-line:
– mais nada.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Na rede com Maiakovski

Na primeira noite eles se aproximam
e fecham o Megaupload
da nossa rede.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
bloqueiam os compartilhadores P2P,
tiram links para torrents do ar,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais FDP deles
entra sozinho em nossa casa,
confisca nossos PCs, e,
conhecendo nossa senha,
apaga todos nossos arquivos.
E, como não compartilhamos nada, já não podemos postar nada.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sociologia da sala de cinema



Se procedêssemos a uma descrição sistemática e a uma análise de determinados comportamentos sociais existentes dentro de uma sessão de cinema, poderíamos esboçar os seguintes tipos:

a) nerds que permanecem sentados até a passagem de todos os créditos finais, aguardando por alguma cena prólogo de algum de filme de super-herói vindouro (com o tempo, esse hábito também passou a fazer parte da rotina dos não nerds);

b) pipoqueiros obsessivo-compulsivos, com talento para fazer o máximo de barulho possível com a mastigação de pipoca;

c) tagarelas que ficam contando (bem alto, pra todo mundo ouvir) não só o final do filme cuja sessão estão assistindo (isto é, já viram mas estão lá pra contar cada detalhe para sua companhia) como também os finais de outros filmes em cartaz;

d) desinteressados, que dispõem da sala de cinema como mera sala de estar enquanto conversam a sessão inteira ao celular (e alto, sem qualquer noção, sem qualquer respeito aos ouvidos alheios);

e) beijoqueiros, subsegmento dos desinteressados que pagam o ingresso em uma sessão apenas para aproveitar o escurinho do cinema para se atracarem;

f) cinâmbulos (cine + sonâmbulo), que pagam para nunca assistir a um longa inteiramente (e ainda pensam que "dormiram na metade", quando dormiram bem antes)
g) outros dos quais não me lembro agora

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Proposta de verbete para a próxima edição do Houaiss

céunado s.m. (sXXI) 
Câmara de alta renda, cujos membros concursados representam o paraíso salarial do funcionalismo público de um país. Lugar em que trabalham pessoas cuja renda mensal corresponde a um salário surreal, que você, mero mortal, jamais imaginou receber como funcionário público. ◎ Etim.: do concursês ceunadus, 'céu dos afortunados'.