terça-feira, 17 de maio de 2005

Excluídos, mas não de tudo

Tô descendo os blocos residenciais da 405; de longe vejo um catador de lixo com sua carrocinha ambulante tirando algo do lixão de um dos blocos. É uma revista. Parece que tá lendo. E tá rindo. Aposto que é uma revista pornô.
Não. Nada disso...

É uma revistinha da Turma da Mônica. E ele ri que só... encosta-se na carrocinha e vai folheando, continuando a achar graça em cada página. Ele tá contente; vejo isso nos olhos dele.

A gente tem uma percepção tão opaca da vida de um indigente que não consegue admitir que uma pessoa assim seja capaz de sorrir de verdade, de se entreter com um direito tão comum a qualquer pessoa. Como se cada um deles também fosse um miserável cultural, um indigente moral, já que acreditei até aquele momento que a única coisa com qual ele poderia se divertir era com erotismo (e com bebida). Talvez por acreditar que obrigatoriamente não sabia ler; por não imaginar nem de longe um possível passado vivido com alguma dignidade material - afinal de contas, nem todos nascem excluídos.

Possa ele encontrar outro meios de rir na vida... nem que seja pelo menos rir dela.

Fut-sadismo

Acabei de assistir, por acaso, a um jogo de futebol de salão entre Brasil e Equador. Pra quem já conhece o time brasileiro, não tem dúvida nenhuma quanto ao resultado, apenas questiona se a seleção adversária fará um ou dois gols de honra.

De fato, não deu outra: Brasil 7 x 1 Equador.

E todos assistem como se pudessem aguardar por outro resultado... Nada contra quem curte e joga futsal, mas é algo deveras sem graça esperar pelo massacre certo e garantido da outra equipe. É divertido conferir um jogo concorrido, mas há quem experimente prazer dobrado ao ver seu time de profissionais esmagando outra equipe "sem tradição" . E é observando toda euforia brasileira durante e após o jogo que deduzo que esses torcedores são no mínimo um bando de gente sádica.

Rapid Eye Music

Whenever we hold each other
We hold each other
There’s a feeling that’s gone
Something has gone wrong
And I don’t know how much longer I can take it
House made of heart break it
Take my head in your hands and shake it
In this near wild heaven
Not near enough

Living inside
Living inside
Living inside
[Near wild heaven]

Whatever it takes I’m giving
It’s just a gift I’m given
Try to live inside
Trying to move inside
And I always thought that it would make me smarter
But it’s only made me harder
My heart thrown open wide
In this near wild heaven
Not near enough…


Tá lá, bem no lado A do disco “Out of Time” do R.E.M. O sábado inteiro tentando sintonizar alguma coisa que prestasse nas FMs da cidade e o mais singular prazer de um nerd musical estava lá à minha espera, no esquecido lado A de um vinil de 1988.

[Thanks to Berry, Buck, Mills and Stipe]