sexta-feira, 15 de abril de 2005

Revista Universitária

Fim de festa.
23:30h... os seguranças do campus até que enrolaram bastante, deixando a gente se divertir mais um pouquinho no mezanino sul... o vinho já tinha acabado, a cerva idem, mas a música que saía do velho toca-discos do DCE inda rolava alta... uma dupla veio nos abordar, avisando que já havia passado da hora de desligar o som. Um dos letrados, enputecido - e bêbado - revoltou-se contra a interrupção inadmissível de um vinil do Ira!:

- Não, não, num vô abaixá não! Num vô, num vô! Que qui há, a gente estuda aquiblábláblábláblá...

Tive vontade de ir amansar os ânimos do meu camarada, mas já fazia 5 minutos que eu jazia morgado num dos sofás instalados no mezanino. "Deixa pra lá, peixe... tão só cumprindo o trabalho deles, cria caso não, pô...", pensei comigo. Mas nem me mexi.

Daqui a pouco, vem a Juju dando um tapão no sofá:

- 'corda, mininu! 'bora! ajuda gente a levar as coisas pro CA.

Peguei o micro-system, os CDs, os vinis, os trocentos exemplares de zines que sobraram e os acompanhei de volta pro nosso cantinho na UnB. E pensei em tudo o que rolou... e não rolou. Os improvisos, o pouco gelo, toda aquela gente de tudo que é curso misturada me fazendo lembrar os tempos de ocupe-se, gente fazendo novas amizades - e novos rolos (um sortudo da Tradução não esperava ficar com uma bela calourinha de PBSL), as saídas emergenciais de carro rumo ao mercado pra suprir a sede etílica da calourada, recém-saída de duas provas no mesmo dia, os vários copos que deixei de beber por causa do tempo que perdi fazendo papel de promoter da festa do CA e falando pelos cotovelos... as amizades que não apareceram... bem como uma promessa de amizade que também não deu as caras mas que tava brindando no bar mais próximo do campus... Bom, deixa pra lá. Pronto. Pode fechar o CA, Juju, vamos.

Saindo pela ala sul, quase chegando no portão, eis que:

- Ei, pxiu! Faz favo"r"...

Era um dos seguranças.

- Algum problema, amigo?

- Preciso revistar sua mochila.

De fato, não era uma mochila qualquer. Tratava-se de uma Wolnner, daquelas dignas de alpinistas profissionais sagazes. Paguei uma nota nela, mas valeu a pena. E lá estava ela, cheia, inflada, inchadona mesmo, como se eu fosse escalar a Torre de TV. Certamente chamou a atenção dele.

Abri o mochilaço pra ele. Um caderno, um livro, uma máquina fotográfica... e zines.
Muitos zines. Dezenas deles.

- Só tem zine aí... qué um procê?

- Quê?

- É... sacripantas, zine de Letras... pó ficá pra você.

- Não... brigado. Ok. (pode ir)

Quinta-pra-sexta, 23:59:43... sofri minha primeira revista universitária - só por causa das revistas universitárias.

(Quêisso maluco, agora qu'eu notei... nem tô de ressaca: esqueci de beber.)