Chover - verbo pessoal e conjugável em qualquer tempo ou modo para quem vive em Brasília: eu chovo, tu choves, ele chove...
segunda-feira, 7 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
Poeminha do Ricardão
Esquece filho, esquece marido;
Vem viver uma aventura comigo!
Aturar família é sempre dose:
Desestresse, relaxe e goze.
Vem viver uma aventura comigo!
Aturar família é sempre dose:
Desestresse, relaxe e goze.
domingo, 24 de outubro de 2010
Serenata a uma pretensiosa (1945), Joaquim de Barros
A poesia está inscrita numa fonte em Folgosinho, Serra da Estrela, Portugal.
É uma raridade: além de singulares, esses versos são atribuídos a um poeta português esquecido e perdido no tempo, um certo Joaquim de Barros. É a última estrofe de "Serenata a uma pretensiosa" (1945):
Não procures subir alto
Modera as tuas canseiras
Há muitas vezes, a beleza
Mesmo nas ervas rasteiras.
Nas tuas unhas condiz
Teu modo de ostentação
Por fora sobra verniz
Por dentro falta sabão.
Nem sempre uma linda cara
Traduz encanto no mundo
Há mil fontes de àgua clara
Cheias de lodo no fundo.
Modera as tuas canseiras
Há muitas vezes, a beleza
Mesmo nas ervas rasteiras.
Nas tuas unhas condiz
Teu modo de ostentação
Por fora sobra verniz
Por dentro falta sabão.
Nem sempre uma linda cara
Traduz encanto no mundo
Há mil fontes de àgua clara
Cheias de lodo no fundo.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Enquanto isso, na Rorizlândia...
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Prova da existência de Deus
Toda vez que desejo calar a boca dos meus amigos ateus, basta que eu mostre a eles uma fotografia de Jennifer Connelly.
Ela é a mais absoluta prova da existência de Deus.
Olhe bem pra ela e me diga: como o CAOS, como o ACASO poderia conceber a beleza dessa mulher?
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
A vingança do comunista na latinha de Coca-Cola

Certa vez, Roberto Campos (vulgo Bob Fields) disse o seguinte, a respeito da cidade de Brasília:
“Foi a vingança de um arquiteto comunista contra a sociedade burguesa”.
Recentemente, por ocasião dos 50 anos de Brasília, a Coca-Cola lançou uma versão de suas latinhas em volume de 270 ml com todas as obras de Oscar Niemeyer existentes na cidade estampadas em sua superfície (incluindo a escultura Os Candangos, que é obra de Bruno Giorgi).
O que terá dito Oscar Niemeyer quando viu isso?
Ou melhor: o que diria o falecido Roberto Campos se visse isso?
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Flores do Mal
Se eu disser que há uma canção do rock brazuca chamada "Flores do Mal", aposto como 90% das pessoas dirão "ah, é aquela música da Legião Urbana, né?" ("Mentir é facil demais...") . Lamentavelmente, pouca gente conhece uma música de mesmo nome, de 1992, que é uma canção underrated do Barão Vermelho, beeeem mais bela que a da Legião:
Não me retalhe em escândalos
(...)
Não me esqueça por tão pouco
Nem diga adeus por engano
Mas é sempre assim
A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva
Faz do amor uma história triste
O bem que você me fez nunca foi real
Da semente mais rica, nasceram flores do mal
É incrível como me sinto, hoje, devidamente contemplado pelos versos desta música. E ao mesmo tempo que é doloroso pensar naquilo que ela me faz lembrar, é reconfortante ouvi-la - como se o meu próprio desabafo estivesse sendo ali cantado, como único consolo restante. Masoquista, eu? Não... humano, demasiadamente humano.
Não me retalhe em escândalos
(...)
Não me esqueça por tão pouco
Nem diga adeus por engano
Mas é sempre assim
A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva
Faz do amor uma história triste
O bem que você me fez nunca foi real
Da semente mais rica, nasceram flores do mal
É incrível como me sinto, hoje, devidamente contemplado pelos versos desta música. E ao mesmo tempo que é doloroso pensar naquilo que ela me faz lembrar, é reconfortante ouvi-la - como se o meu próprio desabafo estivesse sendo ali cantado, como único consolo restante. Masoquista, eu? Não... humano, demasiadamente humano.
sábado, 9 de janeiro de 2010
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
nıɐɔ ǝlǝ ǝnb oʇuɐʇ ıoɟ oıɹqílınbǝsǝp o
A declaração do promotor de Justiça Militar do MPDFT, Mauro Faria, feita esta semana no telejornal DF Record, foi de uma sagacidade fenomenal.
A respeito desta badalada cena, onde o comandante da PM parte pra cima do manifestante e cai, a partir dos 0:45,
O promotor militar declarou o seguinte (desse jeito, literalmente) aos repórteres:
As filmagens mostram um desequilíbrio do Comandante, tanto que ele caiu.
Sei que é falar do óbvio, mas não resisto em comentar: por um lado, a declaração pode ser simples e ingenuamente lida/ouvida entendendo-se o termo desequilíbrio apenas em seu sentido físico, o que torna a oração subordinada "tanto que ele caiu" - e todo o resto da declaração - uma constatação mais do que óbvia, inútil e desnecessária pra quem confere o vídeo; por outro, identifica-se aqui um sarcasmo dificilmente demonstrado em público por parte desses promotores: tachou o comandante da PM de desequilibrado físico E psicológico, simultaneamente.
Eu imaginava que esses promotores fossem sóbrios e sérios até a alma, mas a oportunidade encontrada para proporcionar um duplo sentido para a palavra em questão - e fazer graça - foi muito bem aproveitada.
A respeito desta badalada cena, onde o comandante da PM parte pra cima do manifestante e cai, a partir dos 0:45,
O promotor militar declarou o seguinte (desse jeito, literalmente) aos repórteres:
As filmagens mostram um desequilíbrio do Comandante, tanto que ele caiu.
Sei que é falar do óbvio, mas não resisto em comentar: por um lado, a declaração pode ser simples e ingenuamente lida/ouvida entendendo-se o termo desequilíbrio apenas em seu sentido físico, o que torna a oração subordinada "tanto que ele caiu" - e todo o resto da declaração - uma constatação mais do que óbvia, inútil e desnecessária pra quem confere o vídeo; por outro, identifica-se aqui um sarcasmo dificilmente demonstrado em público por parte desses promotores: tachou o comandante da PM de desequilibrado físico E psicológico, simultaneamente.
Eu imaginava que esses promotores fossem sóbrios e sérios até a alma, mas a oportunidade encontrada para proporcionar um duplo sentido para a palavra em questão - e fazer graça - foi muito bem aproveitada.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Triste Futuro do Pretérito
O maior desgosto da vida pode ser resumido nesta frase:
"Poderia ter sido... Mas não foi."
domingo, 2 de agosto de 2009
Bom gosto musical é afrodisíaco
Confira apenas os 30 segundos iniciais desse trailer e comprove: o sonho de todo homem com um gosto musical decente é poder encontrar uma mulher que tenha esse mesmo bom gosto.
A propósito: a canção em questão é "There is a light that never goes out", do The Smiths.
A propósito: a canção em questão é "There is a light that never goes out", do The Smiths.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Deu no jornal
Manchete de ontem:
"Pássaro se choca com avião; ninguém sai ferido."
A cada dia que passa, a falta de respeito e valor à vida animal se banaliza de tal forma que ninguém mais se dá conta.
"Pássaro se choca com avião; ninguém sai ferido."
A cada dia que passa, a falta de respeito e valor à vida animal se banaliza de tal forma que ninguém mais se dá conta.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Teoria da grama do vizinho
[certa tarde, em meio a uma conversa durante uma volta pela cidade com Rose]
Eu - ... A grama do vizinho é sempre mais verde.
Rose - Não é não, nego... só é diferente.
Eu - ... A grama do vizinho é sempre mais verde.
Rose - Não é não, nego... só é diferente.
domingo, 21 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
Entre autores e atores, a voz do verso
No site do Portal Nação Cultural Pernambuco, há um link para ouvir versos de Bandeira e Drummond lidos pelos próprios autores:
http://www.nacaocultural.pe.gov.br/bandeira-e-drummond
Na minha opinião, nem todo poeta é o melhor intérprete de seus próprios versos; muitas vezes, falta a entonação que é encontrada apenas na voz de outros, não poetas... Há atores que o fazem com uma propriedade capaz de surpreender e encantar os próprios autores, realizando interpretações impecáveis - caso do ator Adeilton Lima recitando os versos de Mário Quintana. No entanto, vale conferir as reproduções não só como referência e curiosidade, mas também pelo raro registro histórico, que nos dá a chance de conhecer aquela expressão dos poetas que jamais veremos em seus poemas: a sonoridade de suas próprias vozes.
http://www.nacaocultural.pe.
Na minha opinião, nem todo poeta é o melhor intérprete de seus próprios versos; muitas vezes, falta a entonação que é encontrada apenas na voz de outros, não poetas... Há atores que o fazem com uma propriedade capaz de surpreender e encantar os próprios autores, realizando interpretações impecáveis - caso do ator Adeilton Lima recitando os versos de Mário Quintana. No entanto, vale conferir as reproduções não só como referência e curiosidade, mas também pelo raro registro histórico, que nos dá a chance de conhecer aquela expressão dos poetas que jamais veremos em seus poemas: a sonoridade de suas próprias vozes.
domingo, 19 de abril de 2009
Triste constatação
A sensibilidade é tão ridicularizada
que às vezes me envergonho
de ser tão sensível
que às vezes me envergonho
de ser tão sensível
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Versos perdidos em Guaratinguetá
Leva-me pela mão, querida
ensina-me o caminho do teu amor
que por ele trilharei
cativo.
Não me percas no caminho;
vem cá, fica mais perto
e tão perto estou
que te sinto
minha.
Venha ver-me todo o tempo
embora, por mais que venhas
seja sempre pouco
pelo muito que te amo
querida.
ensina-me o caminho do teu amor
que por ele trilharei
cativo.
Não me percas no caminho;
vem cá, fica mais perto
e tão perto estou
que te sinto
minha.
Venha ver-me todo o tempo
embora, por mais que venhas
seja sempre pouco
pelo muito que te amo
querida.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Chomsky, Skinner e Vygotsky sentados à mesa dum bar
![]() |
| "The Intellectuals at la Rotonde", Tullio Garbari (1916) |
(...)
Chomsky:
— Vem cá, Skinner, por que uma criança, mesmo ouvindo os adultos dizerem "fiz" e "sei", ainda assim diz "fazi" e "sabo", seguindo naturalmente os paradigmas regulares dos verbos da 2ª conjugação, terminados em -er, quando todos os reforços seriam, nesse caso, favoráveis à primeira forma, irregular ?...
Skinner:
— Isso não contradiz o que eu penso. A princípio, ela pode até dizer "fazi" e "sabo", mas tal condição não se perdura por muito tempo, até porque, justamente graças aos reforços, essa mesma criança deixa de falar "fazi" e "sabo" e passa a falar "fiz" e "sei"... por que será, hein Noam?
Vygotsky:
— Chomsky, não acredito que isso aconteça tão "naturalmente" assim. O que ocorre é que, após essa criança se apropriar da forma cultural dos adultos de usar paradigmas de verbos regulares (bato, bati; vendo, vendi), assim que precisar usar os irregulares saber e fazer, ela os conjugará "sabo" e "fazi", como resultado da generalização dos paradigmas que ela assimilou culturalmente... Isso também serve pra você, Skinner: a criança deixa de falar "sabo" e "fazi" e passa a conjugar por meio do paradigma irregular devido ao mesmo motivo, já que, aos poucos, vai se apropriando da forma cultural devidamente consolidada entre os adultos.
(...)
Assinale abaixo quem será o vencedor do debate e, como tal, irá embora sem precisar pagar a conta:
a) Diretor Skinner, que convencerá todos na base dos reforços;
b) Mister Chomsky, que conseguirá fazer todos dialogarem numa mesma língua ideal e de acordo com uma gramática universal;
c) Kamarada Vygotsky, que mesmo com um princípio de tuberculose não abriu mão de tomar uma boa vodka russa com os demais kamaradas no bar;
d) Monsieur Piaget, que também tá bem ali no canto da mesa fumando um cachimbo só esperando sua vez de falar;
e) Outro teórico que faltou ser convidado mas que fará das idéias anteriores meros itens dicionarizados.
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