sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Previsão poética do tempo (DF)
Outono ou inverno, clima cármico eterno:
Lá vem manhã fria, o céu todo opaco
Chegou meio-dia, retire o casaco
À noite resfria, esse tempo é um saco
Se nuvem aparece, então fica esperto:
Dia amanhece com céu encoberto
Nublou, esfriou; veste a jaqueta
Chove não, brou, é só névoa seca
Abafa, esquenta, vira uma estufa;
Do nada, só venta, pancada de chuva
Que logo se acaba, qual fogo de palha
E volta o solzaço: calor e mormaço
Nem reclame mermão, é só primavera
Já, já é verão; quando menos se espera
tem pista alagada, cheia de barro
com gente estressada e batida de carro
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Filosofia zumbi
A vida da gente é como o seriado The Walking Dead: todos aqueles problemas que parecem ter se encerrado ressurgem repentinamente, meio vivos, do nada, atacando-nos a qualquer momento do dia ou da noite e obrigando-nos a fugir deles diariamente. Algumas pessoas se deixam consumir por esses problemas; outras acabam se tornando (mais) um desses problemas. E tudo indica que, um dia, o mundo será inteiramente dominado por esses problemas – até que não haja ninguém mais são e consciente para dar cabo deles.
domingo, 19 de agosto de 2012
Um tanto difícil, mas não impossível
Zilhões de estrelas no céu e você quer chegar àquela:
a de nome mais bonito,
a mais comprometida com o infinito.
Zilhões de almas e você deseja aquela:
de todas, a mais distante;
de todas, a mais errante.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Para um amor improvável
E só meu tesão sabe o quanto;
Te espero, querida
E só meu coração sabe até quando.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Versinhos de R$ 1,00
Talvez não esteja certa
Nem faça ideia ainda
Do coração que aperta
Do quanto a quero, minha linda.
Você nem suspeita
Mas um dia saberá:
Quem hoje te espreita
Tua boca beijará.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Cecília adaptada à era virtual
Eu curto porque o botão de curtir existe
E a timeline está em pauta.
Não sou stalker nem hacker:
Sou internauta.
Sei que curto. E o curtir é tudo.
Tem acesso eterno a conexão ilimitada.
E um dia sei que estarei off-line:
– mais nada.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Na rede com Maiakovski
Na primeira noite eles se aproximam
e fecham o Megaupload
da nossa rede.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
bloqueiam os compartilhadores P2P,
tiram links para torrents do ar,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais FDP deles
entra sozinho em nossa casa,
confisca nossos PCs, e,
conhecendo nossa senha,
apaga todos nossos arquivos.
E, como não compartilhamos nada, já não podemos postar nada.
e fecham o Megaupload
da nossa rede.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
bloqueiam os compartilhadores P2P,
tiram links para torrents do ar,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais FDP deles
entra sozinho em nossa casa,
confisca nossos PCs, e,
conhecendo nossa senha,
apaga todos nossos arquivos.
E, como não compartilhamos nada, já não podemos postar nada.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Sociologia da sala de cinema
Se procedêssemos a uma descrição sistemática e a uma análise de determinados comportamentos sociais existentes dentro de uma sessão de cinema, poderíamos esboçar os seguintes tipos:
a) nerds que permanecem sentados até a passagem de todos os créditos finais, aguardando por alguma cena prólogo de algum de filme de super-herói vindouro (com o tempo, esse hábito também passou a fazer parte da rotina dos não nerds);
b) pipoqueiros obsessivo-compulsivos, com talento para fazer o máximo de barulho possível com a mastigação de pipoca;
c) tagarelas que ficam contando (bem alto, pra todo mundo ouvir) não só o final do filme cuja sessão estão assistindo (isto é, já viram mas estão lá pra contar cada detalhe para sua companhia) como também os finais de outros filmes em cartaz;
d) desinteressados, que dispõem da sala de cinema como mera sala de estar enquanto conversam a sessão inteira ao celular (e alto, sem qualquer noção, sem qualquer respeito aos ouvidos alheios);
e) beijoqueiros, subsegmento dos desinteressados que pagam o ingresso em uma sessão apenas para aproveitar o escurinho do cinema para se atracarem;
f) cinâmbulos (cine + sonâmbulo), que pagam para nunca assistir a um longa inteiramente (e ainda pensam que "dormiram na metade", quando dormiram bem antes)
g) outros dos quais não me lembro agora
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Proposta de verbete para a próxima edição do Houaiss
céunado s.m. (sXXI)
Câmara de alta renda, cujos membros concursados representam o paraíso salarial do funcionalismo público de um país. Lugar em que trabalham pessoas cuja renda mensal corresponde a um salário surreal, que você, mero mortal, jamais imaginou receber como funcionário público. ◎ Etim.: do concursês ceunadus, 'céu dos afortunados'.
Câmara de alta renda, cujos membros concursados representam o paraíso salarial do funcionalismo público de um país. Lugar em que trabalham pessoas cuja renda mensal corresponde a um salário surreal, que você, mero mortal, jamais imaginou receber como funcionário público. ◎ Etim.: do concursês ceunadus, 'céu dos afortunados'.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Da loucura
Ela, casadíssima:
— Ai, que loucura isso que a gente tá fazendo...
Ele, solteiríssimo:
— Mas é exatamente pela loucura que estamos aqui, fazendo isso.
domingo, 28 de agosto de 2011
Um dedo de prosa alcoolizada
É chato perder o senso de pontuação em uma noite de bebedeira e não saber mais a hora de botar uma vírgula ou um ponto final em nossa prosa.
sábado, 27 de agosto de 2011
Da loseridade (III)
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
sábado, 13 de agosto de 2011
Do loseridade
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A vila revisitada
Para os que visitam o tantas vezes recitado Goiás Velho, a Vila Boa de Goiás, é dada a chance de descobrir, por meio de simpático busto debruçado à janela, o lar de sua mais famosa doceira. A vontade imediata é poder logo adentrar, folhear a intimidade do livro da vida daquela senhora – preservado em forma de museu – e ouvir a guia contar as estórias de Cora entrelaçadas à história da Vila.
Mas repentina insatisfação surpreende o viajante sedento de registros: o interior da casa é proibido retratar... Resta-lhe então buscar – tal qual fez a poeta – os temas que a inspiraram nos arredores da residência e da cidade. E é sem esforço que nos deparamos com estórias sendo contadas bem ali, na ponta de nossos pés, a partir das ruas de pedra; mais adiante, na beleza remota das igrejas coloniais; e se ousarmos bater às portas, continuamos a saber mais pelos contos das vizinhas doceiras, enquanto preparam guloseimas.
E assim se experimentam as sinestesias que inspiravam poemas e contos: saboreando, no rio que margeia a casa, a deliciosa sonoridade; ouvindo, no verde do quintal, a silenciosa serenidade; visualizando, nas iguarias das vizinhas, a imortal doçura.
Quem lê Cora também vê a Vila. E estar na Vila é ler Cora. Para o viajante, passeio se torna leitura; e seus passos, versos.
Voltemos a reparar agora o busto senil à janela: seria mesmo preciso? Ora, em vez da mera escultura, por que não deixar que descubram sua essência por meio de todos os doces, verdes e pedras que testemunham a mais cotidiana criação literária daquela vila?
segunda-feira, 7 de março de 2011
Verbete do Dicionário Candango
Chover - verbo pessoal e conjugável em qualquer tempo ou modo para quem vive em Brasília: eu chovo, tu choves, ele chove...
domingo, 6 de março de 2011
Poeminha do Ricardão
Esquece filho, esquece marido;
Vem viver uma aventura comigo!
Aturar família é sempre dose:
Desestresse, relaxe e goze.
Vem viver uma aventura comigo!
Aturar família é sempre dose:
Desestresse, relaxe e goze.
domingo, 24 de outubro de 2010
Serenata a uma pretensiosa (1945), Joaquim de Barros
A poesia está inscrita numa fonte em Folgosinho, Serra da Estrela, Portugal.
É uma raridade: além de singulares, esses versos são atribuídos a um poeta português esquecido e perdido no tempo, um certo Joaquim de Barros. É a última estrofe de "Serenata a uma pretensiosa" (1945):
Não procures subir alto
Modera as tuas canseiras
Há muitas vezes, a beleza
Mesmo nas ervas rasteiras.
Nas tuas unhas condiz
Teu modo de ostentação
Por fora sobra verniz
Por dentro falta sabão.
Nem sempre uma linda cara
Traduz encanto no mundo
Há mil fontes de àgua clara
Cheias de lodo no fundo.
Modera as tuas canseiras
Há muitas vezes, a beleza
Mesmo nas ervas rasteiras.
Nas tuas unhas condiz
Teu modo de ostentação
Por fora sobra verniz
Por dentro falta sabão.
Nem sempre uma linda cara
Traduz encanto no mundo
Há mil fontes de àgua clara
Cheias de lodo no fundo.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Enquanto isso, na Rorizlândia...
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Prova da existência de Deus
Toda vez que desejo calar a boca dos meus amigos ateus, basta que eu mostre a eles uma fotografia de Jennifer Connelly.
Ela é a mais absoluta prova da existência de Deus.
Olhe bem pra ela e me diga: como o CAOS, como o ACASO poderia conceber a beleza dessa mulher?
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