Certamente pensou que o assunto já havia sido dado por encerrado; já havia até afrouxado um pouco mais a segurança. Enganou-se redondamente, com uma torta redonda na cara. Torta não, o jornal fala numa "mistura de frutas", mas a rádio comunitária confirma a versão da torta de morango do Super Maia; quem sabe Vossa Magnificência não deve tê-la saboreado um pouquinho e repassado isso a alguns de seus assessores?
Até agora, nenhuma organização to(r)ta(lita)rista terrorista assumiu a autoria do atentado. O DCE, que já não vem contando mesmo com o apoio da maioria estudantil, afirmou que não podia ter mesmo "controle de tudo". O Correio falou dum suposto "Confeiteir@s sem Fronteiras", e que o autor da lambança era um "estudante que vestia paletó e camisa social". E como comprovaram que era estudante? E só estudante que protesta? É só estudante que costuma dar tortada na cara dos outros? Qualquer torta jogada na cara do reitor teria então obrigatoriamente relação com a paridade? Se pelo menos fosse uma torta bem divida em três partes iguais...
Bom, de qualquer jeito, o assunto conseguiu assim mais uma meia página nos jornais. E chegando ao campus naquele fim de tarde, conferi termos paritários saindo da boca até de quem ignorava o porquê daqueles adesivozinhos redondinhos distribuídos semanas antes.
Curioso foi a ocasião em que rolou o atentado: lançamento do livro "Os excluídos da Arca de Noé". Não poderia ser mais simbólico.
domingo, 15 de maio de 2005
sábado, 14 de maio de 2005
Nem sempre [o momento] se encaixa
Estava decidido: a noite pertencia ao rock. Daquelas noites frias de Porão. Mas ainda à tarde numa repentina ligação de celular alguém reclamou por minha companhia. Tudo bem, deixa eu só parar de tocar London Calling na minha cabeça e botar pra tocar algo mais... putz, não tenho nada disso por aqui. Não importa, talvez ela já conte com a trilha sonora certa.
E assim acabei sintonizando outra melodia. Devo tê-la deixado feliz... queria sentir o mesmo: sair com alguém com outro alguém na cabeça é incômodo... beijar uma boca desejando outra, desanimador.
Chato quando seu timing amoroso não consegue sincronia com quem vem ao seu encontro.
E assim acabei sintonizando outra melodia. Devo tê-la deixado feliz... queria sentir o mesmo: sair com alguém com outro alguém na cabeça é incômodo... beijar uma boca desejando outra, desanimador.
Chato quando seu timing amoroso não consegue sincronia com quem vem ao seu encontro.
segunda-feira, 9 de maio de 2005
Eu, webaholic
Não queria admitir, mas preciso assumir.
Nos minutos e segundos que precedem o acesso à minha caixa de entrada, uma ansiedade generalizada me impede de pensar em qualquer outra coisa até ver todas as mensagens novas. Teclo o nome de usuário errado. Atropelo a digitação da senha. Quando as vejo e finalmente consigo abri-las, uma ou outra acaba me dando pequenas sensações orgasmáticas e aquele sorriso idiota estampado na cara.
O professor informa o tema do seminário e o que me vem à cabeça é só a tela do google se abrindo com o cursor apontando em "pesquisa avançada".
Não me lembro mais quando foi que passei a dizer sempre "depois te mando um email" ao invés de "depois eu ligo pra você", ou "cê tem email?" ao invés de "qual seu número?"
(Recentemente, acho que andei soltando uns "cê tem orkut?")
Tenho encontrado pessoalmente várias pessoas que dias ou semanas antes só via na tela do meu computador - mesmo as mais distantes. (prova de que proximidade virtual leva, mais cedo ou mais tarde, irresistivelmente, fatalmente, à proximidade física)
Tenho achado mais cômodo dar cliques ou mexer na barra de rolagens do que folhear as páginas dum jornal ou livro.
(assinante do Correio acessa TODO o conteúdo pelo site!)
No trabalho, colegas têm me cutucado dizendo "anda!", "bora!" mas só depois de muito tempo dou conta que a irritação é com o tempo que passei preso entre a cadeira e o teclado; quando não são eles, é o chefe imediato perguntando sobre aquela janela minimizada ali na barra de ferramentas.
(Messenger, preciso dizer?)
E nesse exato momento tô aqui ansioso pra terminar logo esse rascunho de blog pra dar vez à Dandara que tá aqui do lado esperando sua vez no PC do CA.
(Você não tinha que terminar a apresentação do seminário de amanhã? Lembrei também que precisava passar no terminal do banco que fechou agorinha às 22h. Fodeu.)
E ainda se preocupam com cigarro e bebida... é essa dependência aqui que tá ferrando com a minha vida!
Quiçá de milhões de outras.
Nos minutos e segundos que precedem o acesso à minha caixa de entrada, uma ansiedade generalizada me impede de pensar em qualquer outra coisa até ver todas as mensagens novas. Teclo o nome de usuário errado. Atropelo a digitação da senha. Quando as vejo e finalmente consigo abri-las, uma ou outra acaba me dando pequenas sensações orgasmáticas e aquele sorriso idiota estampado na cara.
O professor informa o tema do seminário e o que me vem à cabeça é só a tela do google se abrindo com o cursor apontando em "pesquisa avançada".
Não me lembro mais quando foi que passei a dizer sempre "depois te mando um email" ao invés de "depois eu ligo pra você", ou "cê tem email?" ao invés de "qual seu número?"
(Recentemente, acho que andei soltando uns "cê tem orkut?")
Tenho encontrado pessoalmente várias pessoas que dias ou semanas antes só via na tela do meu computador - mesmo as mais distantes. (prova de que proximidade virtual leva, mais cedo ou mais tarde, irresistivelmente, fatalmente, à proximidade física)
Tenho achado mais cômodo dar cliques ou mexer na barra de rolagens do que folhear as páginas dum jornal ou livro.
(assinante do Correio acessa TODO o conteúdo pelo site!)
No trabalho, colegas têm me cutucado dizendo "anda!", "bora!" mas só depois de muito tempo dou conta que a irritação é com o tempo que passei preso entre a cadeira e o teclado; quando não são eles, é o chefe imediato perguntando sobre aquela janela minimizada ali na barra de ferramentas.
(Messenger, preciso dizer?)
E nesse exato momento tô aqui ansioso pra terminar logo esse rascunho de blog pra dar vez à Dandara que tá aqui do lado esperando sua vez no PC do CA.
(Você não tinha que terminar a apresentação do seminário de amanhã? Lembrei também que precisava passar no terminal do banco que fechou agorinha às 22h. Fodeu.)
E ainda se preocupam com cigarro e bebida... é essa dependência aqui que tá ferrando com a minha vida!
Quiçá de milhões de outras.
domingo, 8 de maio de 2005
Marias & Clarices
Nesse domingo o mercado tava cheinho de mães. Nem precisava (re)conhecer alguém ali pra saber que (praticamente quase todas) eram. Vovós, titias, adotivas, postiças, todo mundo era mãe ali hoje, que é o dia que o comércio elegeu pra que se gastassem e comprassem por/para elas; ué, então deviam estar todas em casa, com todas as raras mordomias, enquanto pais e filhos tomassem seu lugar nas compras. Ah, já sei porque tão todas aqui... tô vendo os carrinhos... cheios, abarrotados... de flores. Isso mesmo, hoje não é dia de fazer almoço. Além do mais as flores hoje - obviamente - estão numa irresistível promoção. De plástico, de verdade, pra todos os gostos. Mãe comprando pra avó, pras irmãs-mães ou pra todas as outras mães da família. Nunca se cansam de fazer isso, e não iam deixar essa missão na mão de qualquer um (diga-se "homem"). Uma delas tava ali na minha frente na fila, com uma floricultura móvel ambulante. Me pediu ajuda pra passar todo aquele jardim pelo caixa e recolocá-las depois com cuidado no carrinho. No fim, me olhou com um sorrisozinho sincero de agradecimento, daqueles que dizem "brigado, fio!". Também respondi risonhamente calado, embora ela não pudesse conhecer todo o significado do meu olhar: "Nada, senhora-dona-mamãe... não é nada diferente do que faria pela minha, se ainda estivesse viva."
Feliz eterno dia das mães, Dona Clarice - onde quer que você esteja.
Feliz eterno dia das mães, Dona Clarice - onde quer que você esteja.
sexta-feira, 22 de abril de 2005
Eu vi a cara da morte e ela estava viva
Setembro de 2003. Saí depois das 23h do campus porque o filme passado na aula de Introdução à Literatura era grande. Tô atravessando a SQN 405. De longe, avistei um cachorro branco. Não era um vira-lata qualquer. Era a porra dum pitbull. Ele ficava pulando e dando voltas, soltinho, observado de longe pelo seu dono. De onde estava, aquela coisa branca já havia me avistado. Olhava, encarava-me várias vezes momentaneamente, mas logo em seguida fez como se houvesse me ignorado. Foi a deixa pra que eu traçasse uma rota paralela e não ficasse na reta dele. Não adiantou. Ele continuava pulando, dando voltas e observado pelo dono, mas foi se aproximando. Olhei pra outro lado, fingi que não estava nem aí, mas não teve jeito. Ao passar por uma distância de dez metros dele, virei apenas os olhos rapidamente pra ver se estava me encarando...
Estava.
Aquele olhar durou toda a eternidade.
Se o diabo existe, ele esteve ali, diante de mim. Lúcifer, Belzebu, Satanás... o olhar fixo daquele cachorro branco imóvel me hiptonizava e me dizia:
- Boa noite, desgraçado. Vim buscar sua alma.
Pensei que não tivesse mais que alguns segundos de vida. Não tenho nada contra morrer, pode ser hoje, pode ser mês que vem; acredito até na imortalidade da alma. O foda é ter que morrer dolorosamente, sofrer intensa e demoradamente antes do último suspiro. Nesse momento o dono parece ter se tocado e resolve chamá-lo: "Vem pra cá, Rex, volta!" (digo "Rex" porque a emoção do momento me impediu permanentemente de lembrar do nome do demônio). Mas ele continuou em meu encalço. Apesar de tudo, não deixei que a emoção mais terminal que já tive na vida tomasse o lugar da razão. Lembrei-me do que li certa vez em uma revista sobre como proceder ao ser abordado por um pitbull: diminua a velocidade do seu andar até parar. Abaixe a cabeça e não olhe mais pra ele, porque ele encara isso como um desafio e parte pro ataque logo em seguida. Vire-se vagarosamente na direção contrária e continue caminhando vagarosamente. Fiz tudo conforme recomendava a revista, e parecia que estava dando certo. Exceto por um detalhe: ele continuava a me seguir, vagarosamente... e rosnando. Baixinho. Era também um rosnado incisivo, que dizia: "Quero sua alma, AGORA, e nada nesse mundo (nem mesmo o meu dono que tá ali me chamando) me fará desistir de você, maldito que cruzou meu caminho". Minha alma nada, ele queria era o meu corpo, minha carne, meus ossos. Continuei andando, suando frio e calculando quantos segundos ainda faltava pra pensar/fazeralgumacoisa/rezar/gritarporsocorro até que estivesse finalmente despedaçado. Finalmente, não ouço mais rosnado algum. Mas só tive coragem de olhar pra trás após mais de 100 metros percorridos. Na verdade, nem me lembro de ter olhado pra trás até chegar em casa. A qualquer momento, ele soltaria o rosnado seguido do latido definitivo, antes de chegar até minha jugular. Mas não o fez. Já devia estar era longe, recolhido no apartamento com seu dono.
Acredite: uma leitura de revista na barbearia antes do corte de cabelo pode salvar sua vida. Ou pelo menos fazê-la durar mais um pouquinho até algum próximo encontro inevitável.
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